Polícia
Polícia Federal prende policiais militares suspeitos de repassar informações ao CV no Rio
Operação Tredo cumpriu 11 mandados de prisão e identificou agentes que informavam ações policiais a lideranças da facção

A Polícia Federal prendeu, nesta segunda-feira (8), dois policiais militares suspeitos de fornecer informações sigilosas sobre operações policiais a lideranças do Comando Vermelho (CV). As prisões ocorreram durante a Operação Tredo, realizada no Rio de Janeiro, com apoio do Bope e da Corregedoria da Polícia Militar.
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Entre os presos está um 2º sargento do Bope, apontado como informante de Carlos da Costa Neves, conhecido como “Gardenal”, gerente-geral do tráfico no Complexo da Penha e liderança responsável pela expansão da facção na região da Grande Jacarepaguá.
Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de prisão e seis de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Rio. Três veículos e diversos aparelhos celulares foram apreendidos. Um dos alvos já havia sido detido na Operação Contenção, deflagrada no mês anterior.
As investigações começaram após o compartilhamento de informações relacionadas a um militar da Marinha do Brasil que fornecia drones e treinava integrantes da facção para o uso dos equipamentos. Esse compartilhamento foi autorizado no âmbito da Operação Buzz Bomb, realizada em setembro de 2024.
A partir desses dados, os investigadores identificaram policiais militares que repassavam, de forma ilegal, informações sobre operações planejadas em comunidades dominadas pela facção. O objetivo da troca de informações era frustrar ações das forças de segurança e permitir que criminosos se organizassem para reagir antecipadamente.
O cumprimento dos mandados visa aprofundar as apurações e identificar outros possíveis infiltrados na estrutura estatal. Os investigados deverão responder por crimes como integração a organização criminosa armada, corrupção ativa e passiva, homicídio, tráfico de drogas, porte ilegal de arma e violação de sigilo funcional.
Além do 2º sargento do Bope, também foi preso o policial militar Luciano da Costa Ramos Júnior. Outros investigados incluem “Gardenal” e Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, apontado como principal líder da facção ainda em liberdade.
A Operação Tredo integra a Missão Redentor 2, iniciativa da Polícia Federal que busca desarticular organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, alinhada às diretrizes do Supremo Tribunal Federal estabelecidas na ADPF 635. O termo “Tredo” significa traidor e faz referência ao rompimento de confiança cometido pelos investigados.
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