Saúde
Casos de câncer de pele crescem no Rio de Janeiro
Estado soma mais de 17 mil diagnósticos na rede pública em dez anos; especialistas apontam subnotificação e alta exposição solar

O Rio de Janeiro registra um crescimento contínuo nos diagnósticos de câncer de pele nos últimos anos, segundo dados do Painel de Oncologia do Ministério da Saúde, analisados entre 2015 e 2025. Apenas na rede pública, foram contabilizados 17.313 casos no período, considerando melanoma, outras neoplasias malignas da pele e carcinomas in situ.
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Os números, no entanto, representam apenas parte da realidade. O câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil e apresenta alta subnotificação, já que muitos casos são tratados na rede privada e não entram de forma imediata nos sistemas oficiais.
Outro fator que impacta a leitura dos dados é o atraso nos registros. Informações oncológicas podem levar meses ou até anos para serem totalmente incorporadas às bases nacionais, o que torna os dados de 2024 e 2025 ainda incompletos.
Para o oncologista clínico Dr. Daniel Musse, membro das sociedades brasileira (SBOC), americana (ASCO) e europeia (ESMO) de oncologia, a curva de crescimento observada é consistente, mas subestima a real dimensão do problema.
“O que observamos no Rio é uma curva consistente de crescimento, mas ela certamente é maior do que aparece no sistema. Câncer de pele é muito frequente e nem sempre os casos são registrados de forma imediata”, explica Musse.
O Rio de Janeiro reúne dois fatores que ampliam a incidência da doença: grande população de pele clara e altos índices de exposição solar ao longo do ano.
“O melanoma e os outros tumores de pele estão diretamente relacionados ao sol acumulado ao longo da vida. Em um estado como o Rio, onde as pessoas se expõem muito, vemos diagnósticos em todas as faixas etárias”, afirma o oncologista.
Na maioria dos casos de câncer de pele, especialmente os não melanoma, a cirurgia é o tratamento padrão. Quando o diagnóstico é precoce, o procedimento tende a ser simples.
“O câncer de pele diagnosticado cedo é tratado com uma cirurgia pequena, geralmente com anestesia local e altíssima taxa de cura”, explica o cirurgião oncológico Dr. Felipe Conde, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).
Segundo ele, o principal problema está na demora para buscar atendimento:
“A espera transforma cirurgias simples em operações extensas, que às vezes exigem enxertos ou reconstrução. O tempo até procurar ajuda faz toda a diferença”, alerta.
Nos casos de melanoma, considerado mais agressivo, o tratamento cirúrgico pode incluir:
retirada ampliada da área afetada;
análise do linfonodo sentinela;
reconstrução com enxertos ou retalhos, quando necessário.
“O melanoma cresce rápido e pode se espalhar. A cirurgia no tempo certo é fundamental para evitar metástases”, reforça Conde.
Os especialistas destacam que mudanças na pele não devem ser ignoradas. Entre os principais sinais de atenção estão:
pintas que mudam de cor, forma ou tamanho;
feridas que não cicatrizam após semanas;
áreas que sangram, doem ou crescem rapidamente;
surgimento de novas manchas em regiões muito expostas ao sol.
Apesar de alguns períodos de aparente estabilização nos números oficiais, o conjunto dos dados mostra uma tendência de crescimento ao longo da última década, especialmente após 2018, com picos anuais superiores a 2 mil casos na rede pública.
Para os especialistas, o cenário reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, especialmente durante campanhas como o Dezembro Laranja, que orienta a população sobre cuidados básicos com a pele.
As principais recomendações incluem:
uso diário de protetor solar, inclusive em dias nublados;
evitar exposição ao sol entre 10h e 16h;
uso de roupas adequadas, chapéus e óculos;
observação regular da própria pele;
busca por avaliação médica ao notar qualquer alteração.
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