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TSE dá 24 horas para Meta apresentar relatório sobre canal “Exército do Lula”

Decisão de Kassio Nunes Marques atende a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e exige dados sobre alcance, possível atuação coordenada e impulsionamento de conteúdos

TSE dá 24 horas para Meta apresentar relatório sobre canal “Exército do Lula”
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou que a Meta apresente informações técnicas sobre o canal “Exército do Lula”. Foto: Luiz Roberto/TSE — O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou que a Meta apresente informações técnicas sobre o canal “Exército do Lula”. Foto: Luiz Roberto/TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, deu prazo de 24 horas para que a Meta apresente um relatório técnico sobre o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp. A determinação atende a um pedido da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e busca esclarecer o funcionamento da ferramenta e o cumprimento das medidas de integridade eleitoral informadas pela empresa à Justiça.

O relatório deverá reunir informações sobre a possível sincronização de atividades entre contas, a replicação de mensagens, os padrões de engajamento e alcance e eventuais mecanismos de amplificação artificial de conteúdo. A Meta também terá de detalhar a circulação de mensagens, a existência de publicidade paga e as providências adotadas para cumprir seu plano de conformidade com o TSE.

A decisão estabelece ainda que a empresa explique os critérios técnicos usados para diferenciar uma mobilização legítima de um comportamento coordenado que possa apresentar irregularidades.

TSE também questiona atuação do Google

A determinação prevê questionamentos ao Google sobre a possível amplificação coordenada de termos e hashtags relacionados ao caso entre os dias 18 e 20 de outubro de 2026. A análise envolve ferramentas como buscas em alta, sugestões de pesquisa e assuntos do momento.

Segundo a decisão, o objetivo é confrontar as medidas formalmente comunicadas à Justiça Eleitoral com o funcionamento dos mecanismos questionados no processo.

Lula anuncia participação no canal

A determinação foi divulgada no mesmo dia em que os participantes do “Exército do Lula” receberam um vídeo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), gravado em formato de selfie. Na mensagem, ele convidou os integrantes para uma transmissão ao vivo prevista para as 19h desta quinta-feira.

O deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pela administração do canal, anunciou que Lula passaria a integrar a ferramenta e poderia enviar orientações diretamente aos participantes.

Em áudio encaminhado ao grupo, Janones afirmou ter recebido uma ligação da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, e disse que o presidente estava com o celular em mãos. Na sequência, informou que havia incluído Lula como administrador do canal.

Pouco depois, foi publicada uma mensagem atribuída ao presidente com a palavra “cheguei”, acompanhada de um emoji de lula.

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No vídeo, Lula convocou os participantes para a transmissão ao vivo e afirmou que a “batalha vai ser dura” e que o grupo derrotaria os adversários.

Até o momento descrito no material divulgado, a campanha de Lula não havia confirmado se a mensagem atribuída ao presidente foi publicada diretamente por ele.

Disputa judicial envolve suspensão e reativação

O “Exército do Lula” está no centro de uma disputa na Justiça Eleitoral desde que a campanha de Flávio Bolsonaro pediu a suspensão do canal, alegando divulgação de informações falsas.

Em 11 de outubro, Nunes Marques determinou a suspensão da ferramenta. No mesmo dia, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a ordem e determinou a reativação do canal.

Uma análise técnica do TSE não identificou conteúdos falsos entre as publicações que estavam disponíveis e foram examinadas.

Em 13 de outubro, Nunes Marques condicionou o funcionamento do canal ao registro formal na Justiça Eleitoral. A campanha de Lula cumpriu a exigência e registrou o endereço eletrônico da ferramenta, mas afirmou que a medida tinha como objetivo atender à decisão judicial e não representava assumir a administração do canal.

Naquela noite, a página voltou a sair do ar após nova decisão. No dia seguinte, 14 de outubro, Nunes Marques determinou que o Facebook, representante do WhatsApp no caso, restabelecesse integralmente a ferramenta, incluindo a possibilidade de novas publicações e entrada de seguidores.

A nova solicitação de informações à Meta amplia a análise sobre o funcionamento do canal e as medidas adotadas para garantir o cumprimento das regras eleitorais. A entrega do relatório deverá permitir que a Justiça Eleitoral examine os aspectos técnicos questionados no processo.

Mariana Dias
Publicado porMariana Dias885 notícias publicadas

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