O sargento da Polícia Militar, Maurício Douglas Souza das Chagas Moura, de 35 anos, preso nesta quarta-feira (28) durante a Operação NXIVM, atuava como segurança do deputado federal Diego Quaquá, filho do prefeito de Maricá, Washington Quaquá.
Lotado no 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM), na Venda da Cruz, em São Gonçalo, o policial é investigado em um caso que apura a atuação de uma rede suspeita de exploração sexual de adolescentes, em um apartamento de Icaraí, na Zona Sul de Niterói. A operação foi coordenada pela 74ª DP (Alcântara) e teve diligências em Niterói, São Gonçalo e Maricá.
A investigação busca esclarecer a participação de cada suspeito, reunir novas provas e identificar possíveis outras vítimas. A prisão do sargento ocorreu no contexto do cumprimento de mandados expedidos durante a operação.
Caso começou após denúncia de adolescente em Niterói
A investigação teve início em julho, depois que uma adolescente de 16 anos procurou a 74ª DP, acompanhada dos pais, para denunciar episódios de violência sexual.
Na ocasião, a Polícia Civil prendeu Matheus Rodrigues Gonçalves, então assessor do vereador de Niterói Professor Túlio. Ele é investigado por suspeita de estupro de vulnerável contra a adolescente.
Durante as diligências na residência do primeiro investigado, os policiais apreenderam celulares e dois notebooks. Segundo a Polícia Civil, a análise dos aparelhos e de imagens de câmeras de segurança ajudou a identificar outros suspeitos e aprofundar a investigação.
Polícia apura uso de vídeos para ameaçar vítimas
De acordo com os investigadores, os integrantes do grupo são suspeitos de produzir imagens de violência sexual e utilizar esse material para ameaçar as adolescentes com a divulgação dos registros. As ameaças e agressões teriam sido usadas para manter as vítimas sob controle e submetê-las a novos abusos.
A Polícia Civil descreve o esquema investigado como uma estrutura de exploração sexual marcada por violência, intimidação e chantagem. Os suspeitos se autodenominariam “senhores” e tratariam as vítimas como “escravas”, segundo as informações divulgadas sobre o caso.
Sargento foi um dos alvos da operação desta quarta-feira
A Operação NXIVM teve como objetivo cumprir dez mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão. Balanços divulgados nesta quarta-feira apontaram oito mandados de prisão cumpridos, incluindo uma nova ordem contra Matheus, que já estava preso.
Além do policial militar, entre os presos está Carlos Alberto Lúcio Bittencourt Filho, de 45 anos, apontado como assessor da deputada federal Talíria Petrone. A investigação segue em andamento para esclarecer a atuação atribuída a cada suspeito.
Polícia Militar acompanha investigação
Em nota, a Polícia Militar informou que a Corregedoria-Geral, por meio da 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (4ª DPJM), participou do cumprimento do mandado contra o sargento. A corporação afirmou acompanhar os desdobramentos do inquérito e declarou que não tolera desvios de conduta ou crimes praticados por integrantes da instituição.
O deputado Diego Quaquá disse através de nota que não aceito e repudia veementemente qualquer tipo de violência ou exploração sexual de crianças e adolescentes.
“É inadmissível. O segurança já foi afastado da função. Cabe à polícia seguir com as investigações e à Justiça determinar a punição cabível, de acordo com os fatos apurados”, disse.






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