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Justiça de Minas torna réus garçons acusados de espancar e matar mulher trans por conta de R$ 22

Decisão da juíza Ana Carolina Rauen aceita denúncia contra os dois suspeitos; crime ocorreu na Savassi, em Belo Horizonte

redacao

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Imagem de rua na região da Savassi, em Belo Horizonte, onde a vítima foi agredida (foto ilustrativa). Foto: Reprodução

A Justiça de Minas Gerais tornou réus os dois homens acusados de espancar e matar a mulher trans Alice Martins Alves, de 33 anos, após uma discussão relacionada a uma comanda de R$ 22 em um bar da Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. A decisão, assinada pela juíza Ana Carolina Rauen, do 1º Tribunal do Júri Sumariante, foi publicada na quinta-feira (4) e divulgada nesta quarta-feira (10).

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Com a aceitação da denúncia, os garçons Arthur Caique Benjamim de Souza, de 27 anos, e William Gustavo de Jesus do Carmo, de 20 anos, passam oficialmente a responder ao processo criminal, que segue em Segredo de Justiça. Ambos permanecem em liberdade. A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos acusados.

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Câmeras de segurança registraram o momento em que Alice pediu ajuda e gritou por socorro enquanto era perseguida. O conteúdo reforça a gravidade das agressões sofridas pela vítima, que chegou a desmaiar e sofreu fraturas nas costelas, perfuração no intestino e desvio de septo nasal.

Alice morreu em 9 de novembro, após semanas internada devido às complicações das lesões.

O motociclista Lauro César Gonçalves Pereira, de 32 anos, que socorreu Alice no dia das agressões, relatou à polícia que tentou pagar os R$ 22 da comanda para impedir a violência. Ele contou ter encontrado a vítima caída no chão e dois homens próximos a ela.

Segundo seu depoimento, os agressores o xingaram e disseram que ele estaria “defendendo ladrão”. Mesmo oferecendo o valor da comanda, Lauro afirmou que os homens continuaram exaltados.

Ele também relatou que chamou a polícia e ajudou a vítima até que os militares chegassem, momento em que os suspeitos fugiram. O entregador disse que só percebeu a gravidade da situação dias depois, ao ver uma publicação sobre o caso nas redes sociais.

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A Polícia Civil destacou que a intervenção de Lauro foi fundamental para que Alice não morresse no local.

O caso é investigado pelo Núcleo Especializado de Investigação de Feminicídios (Neif) do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A polícia apura se a violência foi intensificada pelo fato de Alice ser uma mulher trans, o que pode caracterizar crime motivado por transfobia.

De acordo com o boletim de ocorrência, Alice havia deixado o bar sem pagar a conta e foi perseguida até a Avenida Getúlio Vargas, onde foi agredida por funcionários do estabelecimento. Outros trabalhadores teriam presenciado e rido da situação. A vítima era frequentadora habitual do local e estava sozinha no dia do crime.

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