Saúde

Anvisa alerta para risco de pancreatite ligado a canetas emagrecedoras

Agência cita aumento de notificações de eventos adversos, incluindo suspeitas de óbitos, e destaca risco de pancreatite grave

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Anvisa emite alerta sobre riscos do uso indevido de canetas emagrecedoras e reforça necessidade de prescrição médica. Foto: stefamerpik/Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu nesta segunda-feira (9) um alerta de farmacovigilância sobre os riscos do uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. O comunicado foi divulgado diante do aumento de notificações de eventos adversos no Brasil e no cenário internacional.

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Fazem parte desse grupo medicamentos como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, indicados principalmente para o tratamento de diabetes tipo 2 e, em casos específicos, para controle de peso sob critérios médicos.

Em nota, a Anvisa reforçou que, embora os riscos já estejam descritos nas bulas aprovadas no país, o crescimento do uso fora das indicações exige reforço nas orientações de segurança.

“Conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado”, destacou a agência.

Segundo a Anvisa, o acompanhamento médico é fundamental devido ao risco de eventos adversos graves, com destaque para a pancreatite aguda, que pode evoluir para formas necrotizantes e até fatais.

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Apesar do alerta, a agência esclareceu que não houve mudança na avaliação de risco-benefício dos medicamentos.

“Os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, desde que respeitadas as indicações e os modos de uso aprovados”, informou.

O alerta brasileiro segue uma tendência internacional. No início do mês, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) também emitiu comunicado alertando para um risco pequeno, porém existente, de pancreatite aguda grave em usuários desses medicamentos.

Dados da Anvisa apontam que, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados às canetas emagrecedoras no Brasil, além de seis suspeitas de casos com desfecho de óbito.

Em junho de 2025, a agência adotou medidas mais rigorosas e determinou que farmácias e drogarias passassem a reter a receita desses medicamentos. Desde então, a prescrição deve ser feita em duas vias, com retenção obrigatória no momento da venda — procedimento semelhante ao adotado para antibióticos.

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As receitas têm validade de até 90 dias a partir da data de emissão.

“A decisão teve como objetivo proteger a saúde da população brasileira, diante do número elevado de eventos adversos relacionados ao uso fora das indicações aprovadas”, ressaltou a Anvisa.

A agência recomenda que usuários procurem atendimento médico imediato caso apresentem dor abdominal intensa e persistente, especialmente se irradiar para as costas e vier acompanhada de náuseas e vômitos, sintomas compatíveis com pancreatite.

Já os profissionais de saúde devem interromper o tratamento ao suspeitar de reação adversa grave e não retomar o uso caso o diagnóstico seja confirmado.

A Anvisa também reforçou a importância da notificação de eventos adversos por meio do sistema VigiMed, ferramenta essencial para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado brasileiro.

Nos últimos anos, a Anvisa já havia emitido outros alertas relacionados às canetas emagrecedoras, incluindo:

  • risco de aspiração pulmonar durante procedimentos anestésicos, em 2024;

  • relato de perda rara de visão associada à semaglutida, em 2025.

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