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Velocidade no trânsito: aumento de 5% pode elevar mortes em até 20%, alerta Abramet

Nova diretriz da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego aponta limites biomecânicos do corpo humano e levanta debate sobre segurança viária em meio à renovação automática da CNH.

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Estudos indicam que pequenas variações na velocidade dos veículos podem aumentar significativamente o risco de mortes no trânsito. Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

Um aumento de apenas 5% na velocidade permitida em uma via pode elevar em até 20% o número de mortes entre usuários do trânsito. O alerta é da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), que divulgou a diretriz “Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária”.

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O documento reúne evidências científicas sobre os limites do corpo humano diante de colisões e reforça que decisões relacionadas à gestão do trânsito precisam considerar fatores biomecânicos, especialmente o impacto da velocidade na gravidade dos acidentes.

Segundo a entidade, o corpo humano possui limites fisiológicos de tolerância ao impacto, o que significa que, acima de determinadas velocidades, as chances de morte ou de lesões graves aumentam rapidamente.

“A diretriz parte de um princípio central: o corpo humano possui limites biomecânicos inegociáveis e eles devem ser o ponto de partida das políticas públicas de trânsito”, destacou a Abramet em comunicado.

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De acordo com o documento, a energia liberada em um sinistro cresce de forma exponencial conforme aumenta a velocidade do veículo. Isso faz com que o impacto ultrapasse rapidamente a capacidade do organismo de absorver forças de colisão, especialmente no caso de usuários mais vulneráveis das vias.

Entre esses grupos estão pedestres, ciclistas e motociclistas, que possuem menor proteção física em comparação aos ocupantes de automóveis.

O presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, afirma que a discussão sobre segurança viária precisa levar em conta aspectos biológicos.

“Não estamos lidando apenas com comportamento ou engenharia, mas com limites biológicos. Quando esses limites são ignorados, o resultado é o aumento de mortes e sequelas graves, mesmo em velocidades consideradas legais”, afirmou.

A diretriz também chama atenção para o crescimento da frota de veículos utilitários esportivos, conhecidos como SUVs. Segundo o estudo, carros com frente mais elevada podem aumentar o risco de lesões fatais em pedestres e ciclistas, mesmo quando trafegam em velocidades moderadas.

Dados do sistema DataSUS citados no documento indicam que pedestres, ciclistas e motociclistas respondem por mais de três quartos das internações hospitalares relacionadas a acidentes de trânsito no Brasil. O cenário é agravado por fatores como alta velocidade, infraestrutura viária inadequada e baixa proteção física para esses usuários.

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Além da velocidade, a diretriz aborda a importância da avaliação médica para condutores, tema que ganhou destaque após a criação da renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC).

Segundo a Abramet, condições de saúde como envelhecimento, doenças neurológicas e cardiovasculares, distúrbios do sono, osteoporose e sequelas de traumatismos podem reduzir significativamente a tolerância do corpo humano a impactos.

Por isso, a entidade reforça que a aptidão para dirigir não deve ser considerada permanente, já que pode variar ao longo da vida de acordo com a saúde e o nível de exposição a riscos.

O documento também apresenta recomendações para gestores públicos, instituições de ensino e a sociedade, defendendo a adoção de limites de velocidade compatíveis com a tolerância humana, além de políticas permanentes de gestão da velocidade e campanhas educativas voltadas à prevenção de acidentes.

Para a Abramet, decisões relacionadas ao trânsito não devem considerar apenas a fluidez das vias ou questões administrativas, mas principalmente a preservação da vida

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