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Carta escrita por jovem morto por leoa revela desejo por afeto e felicidade que nunca teve

Texto divulgado por conselheira tutelar expõe carências emocionais de Gerson “Vaqueirinho”, morto aos 19 anos em João Pessoa

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Carta escrita por Gerson de Melo Machado foi divulgada após a morte do jovem em João Pessoa. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Uma carta escrita por Gerson de Melo Machado, no último Natal que passou enquanto adolescente, ganhou repercussão nas redes sociais nesta semana após ser divulgada pela conselheira tutelar Verônica Oliveira. O jovem, conhecido como Vaqueirinho, morreu no mês passado, aos 19 anos, após entrar no recinto dos felinos do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, a Bica, em João Pessoa, na Paraíba.

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Intitulada “Desejo do Coração”, a carta chama atenção por se afastar de pedidos materiais ou ambições grandiosas. No texto, Gerson revela profundas carências afetivas, expressando o desejo de viver uma felicidade que dizia nunca ter experimentado e de receber a visita da mãe.

“Queria ter uma felicidade que eu nunca tive, mas, como Deus é maior, um dia irei ter. Eu queria ter visita da minha mãe para ter carinho e amor”, escreveu o jovem.

A mãe de Gerson, que também possui diagnóstico de esquizofrenia, perdeu o poder familiar. Diferentemente dele, os quatro irmãos do jovem foram adotados por outras famílias. Gerson passou grande parte da vida entre instituições e medidas socioeducativas.

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Segundo Verônica Oliveira, que acompanhou a trajetória do rapaz por vários anos, a carta foi inicialmente compartilhada por uma professora do Centro Educacional do Adolescente (CEA) em um grupo de estudos, antes de ganhar visibilidade pública.

No texto, Gerson também fala sobre seus sonhos profissionais, citando o desejo de se tornar policial, agente florestal ou veterinário. Em um trecho que chamou a atenção de quem leu a carta, ele chega a agradecer pelo período em que esteve privado de liberdade, destacando o apoio recebido dos profissionais que o acompanhavam.

Em entrevistas anteriores, Verônica já havia relatado que o jovem dizia se sentir mais seguro em ambientes de internação, onde tinha acesso a cuidados básicos e acompanhamento constante.

Gerson foi apreendido dez vezes antes de completar 18 anos e, já adulto, chegou a ser preso outras seis vezes, principalmente por furtos e danos. Sua história evidencia fragilidades sociais, familiares e institucionais que marcaram sua trajetória desde a infância.

A divulgação da carta reacendeu debates sobre saúde mental, proteção social, acolhimento institucional e os desafios enfrentados por jovens em situação de vulnerabilidade no Brasil.

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