Brasil
Brasil registra mais de 84 mil desaparecimentos em 2025
Dados oficiais apontam média de 232 pessoas desaparecidas por dia; apesar de avanços, especialistas alertam para subnotificação e falhas na integração nacional

O Brasil registrou 84.760 casos de pessoas desaparecidas ao longo de 2025, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O número representa uma média alarmante de 232 desaparecimentos por dia e indica um aumento superior a 4% em comparação com o ano anterior.
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Apesar da existência da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, criada em 2019 com o objetivo de agilizar investigações e integrar órgãos públicos, o problema continua crescendo. Especialistas apontam que, mesmo com alguns avanços, a política ainda enfrenta dificuldades para funcionar plenamente em todo o país.
Em contrapartida, o número de pessoas localizadas também cresceu nos últimos anos. Em 2025, mais de 56 mil pessoas foram encontradas, um aumento expressivo em relação a 2020. Para estudiosos da área, esse avanço está ligado ao uso de novas ferramentas, ao cruzamento de dados e a uma maior cooperação entre instituições.
Ainda assim, pesquisadores alertam que os números oficiais não refletem totalmente a realidade, já que muitos casos sequer são registrados. Situações envolvendo violência doméstica, atuação de grupos criminosos, populações indígenas e pessoas em situação de rua contribuem para a subnotificação.
Segundo especialistas, parte dos desaparecimentos está relacionada a crimes como feminicídio, tráfico de pessoas, trabalho análogo à escravidão e ocultação de cadáveres. Casos recentes mostram que algumas vítimas inicialmente dadas como desaparecidas acabam sendo encontradas sem vida semanas depois, revelando a complexidade dessas ocorrências.
Outro entrave é a falta de integração entre os estados. Atualmente, menos da metade das unidades da federação está totalmente integrada ao Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, ferramenta considerada essencial para o avanço das investigações.
Embora seja considerada um passo importante, a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas ainda é vista como fragmentada. A ausência de um banco biométrico unificado, falhas na comunicação entre estados e o desconhecimento de protocolos básicos por parte de agentes públicos dificultam a resposta rápida.
Especialistas também alertam que não é necessário aguardar 24 ou 48 horas para registrar um desaparecimento, um mito que ainda atrasa buscas e reduz as chances de localização.
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