Polícia

Delegado da Polícia Federal é condenado a mais de 10 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no RJ

Justiça Federal determinou a perda do cargo de Lorenzo Martins Pompílio da Hora, acusado de receber um carro como propina para interferir em investigação policial.

Mariana Dias

Publicado

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Sentença da Justiça Federal condenou ex-delegado da Polícia Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A Justiça Federal condenou o delegado da Polícia Federal Lorenzo Martins Pompílio da Hora a 10 anos e 6 meses de prisão em regime fechado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A sentença, proferida pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, também determinou a perda do cargo público.

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A condenação é resultado de investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) no âmbito da Operação Tergiversação, que apurou a atuação de uma organização criminosa instalada na Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Segundo a decisão judicial, o então delegado recebeu um veículo avaliado em aproximadamente R$ 70 mil como propina em troca da promessa de interferir em uma investigação policial.

Carro teria sido usado como pagamento de propina

De acordo com a denúncia apresentada pelo MPF, o episódio ocorreu em 2017.

As investigações apontaram que Lorenzo Pompílio solicitou vantagem indevida a um advogado sob a promessa de utilizar sua influência para beneficiar interesses relacionados a um inquérito em andamento.

Como forma de pagamento, ele recebeu um veículo modelo Ford Fusion Titanium, avaliado na época em cerca de R$ 70 mil.

Segundo o Ministério Público, para esconder a origem do bem, o carro foi inicialmente registrado em nome de terceiros e posteriormente transferido para a esposa do delegado.

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Justiça apontou ausência de comprovação financeira

Na sentença, a magistrada destacou que não foram apresentados documentos ou registros financeiros capazes de comprovar uma aquisição legítima do veículo.

Além disso, a decisão menciona contradições identificadas nos depoimentos prestados pelo delegado ao longo do processo.

Para a Justiça Federal, ficou demonstrado que o automóvel foi recebido em razão do cargo ocupado pelo acusado, caracterizando o crime de corrupção passiva.

Lavagem de dinheiro também foi reconhecida

A decisão judicial também concluiu que a transferência do veículo para o nome da esposa do delegado teve o objetivo de ocultar a origem ilícita do patrimônio.

Por esse motivo, Lorenzo Pompílio também foi condenado pelo crime de lavagem de dinheiro.

Segundo a sentença, a manobra buscou conferir aparência de legalidade a um bem obtido por meio de prática criminosa.

Operação investigou esquema milionário

O caso faz parte dos desdobramentos da Operação Tergiversação, investigação conduzida pelo Ministério Público Federal que revelou um suposto esquema de corrupção envolvendo agentes públicos e intermediários dentro da estrutura da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

De acordo com as apurações, empresários investigados ou citados em inquéritos eram procurados por integrantes do grupo, que exigiam pagamentos em troca de favorecimentos, proteção ou interferências em investigações.

O MPF estima que o esquema tenha movimentado aproximadamente R$ 10 milhões em propinas entre os anos de 2013 e 2017.

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Outros envolvidos também foram condenados

Além do ex-delegado, a Justiça Federal condenou o advogado Marcelo Guimarães pelo crime de corrupção ativa.

Luis Henrique do Nascimento Almeida também foi condenado por lavagem de dinheiro.

Os dois celebraram acordos de colaboração premiada com o Ministério Público Federal, fator considerado na definição das penas aplicadas.

Justiça determina perda do cargo

Na decisão, a magistrada ressaltou que a prática dos crimes é incompatível com o exercício da função pública.

Ao justificar a perda do cargo de delegado da Polícia Federal, a sentença afirma que a conduta demonstrou “verdadeira incapacidade moral para o exercício da função pública”.

O entendimento da Justiça foi de que um agente responsável por investigar e combater crimes não pode utilizar sua posição para obter vantagens pessoais.

MPF destaca importância da fiscalização

Responsável pelo acompanhamento do caso no âmbito do controle externo da atividade policial, o procurador da República Eduardo Benones afirmou que a condenação reforça a importância da fiscalização das instituições encarregadas da aplicação da lei.

Segundo ele, a responsabilização de agentes públicos envolvidos em corrupção é fundamental para preservar a credibilidade do sistema de Justiça e manter a confiança da sociedade nas forças de segurança.

A decisão ainda pode ser alvo de recursos nas instâncias superiores da Justiça Federal.

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