Polícia

Prefeito de Turilândia se entrega à polícia após Operação Tântalo II investigar desvio de R$ 56 milhões

Paulo Curió, do União Brasil, é apontado pelo Ministério Público como líder de organização criminosa que teria usado empresas de fachada para desviar recursos públicos no Maranhão.

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Prefeito de Turilândia, Paulo Curió, durante apresentação à polícia em São Luís após dois dias foragido. Foto: Divulgação / MP-MA

O prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), apresentou-se à polícia na manhã desta quarta-feira (24), em São Luís, após permanecer dois dias foragido. A prisão ocorre no âmbito da Operação Tântalo II, deflagrada pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA), que apura um esquema de desvio de recursos públicos estimado em mais de R$ 56 milhões.

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De acordo com o MP-MA, ao menos 20 vereadores e um ex-vereador são investigados por suposta participação na organização criminosa, embora nem todos tenham tido mandados de prisão expedidos. Além do prefeito, também se apresentaram à polícia a primeira-dama Eva Curió, a ex-vice-prefeita Janaína Lima, o marido dela, Marlon Zerrão, e o contador da prefeitura, Wandson Jhonathan Barros.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), os investigados teriam atuado de forma estruturada para desviar recursos do município por meio de contratos fraudulentos com empresas de fachada.

“Na Câmara, todos os vereadores faziam parte do esquema, recebendo dinheiro desviado diretamente ou por intermédio de parentes”, afirmou o promotor Fernando Berniz, do GAECO.

Prisão e medidas judiciais

Após a prisão, Paulo Curió e a vice-prefeita Tânia Mendes devem ser encaminhados para a Unidade Prisional de Ressocialização de Pedrinhas, em São Luís, onde cumprirão prisão preventiva. Já os vereadores investigados tiveram as prisões convertidas em prisão domiciliar ou monitoramento por tornozeleira eletrônica.

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Segundo o Ministério Público, a decisão judicial considerou a necessidade de manter o funcionamento da administração municipal, já que o presidente da Câmara deverá assumir interinamente o Executivo local.

Abrangência da operação

A Operação Tântalo II cumpriu 51 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão em diversos municípios maranhenses, incluindo São Luís, Paço do Lumiar, Pinheiro, Barreirinhas, São José de Ribamar e Presidente Sarney. A ação é um desdobramento da primeira fase da operação, realizada em fevereiro deste ano.

As investigações apontam indícios dos crimes de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro, supostamente cometidos entre 2021 e 2025, durante a gestão de Paulo Curió.

Empresas investigadas

Segundo o MP-MA, o esquema utilizava empresas criadas ou controladas por aliados políticos para simular contratos e movimentar recursos públicos. Entre as empresas investigadas estão:

  • Posto Turi

  • SP Freitas Júnior Ltda

  • Luminer Serviços Ltda

  • MR Costa Ltda

  • AB Ferreira Ltda

  • Climatech Refrigeração e Serviços Ltda

  • JEC Empreendimentos

  • Potencial Empreendimentos e Cia Ltda

  • WJ Barros Consultoria Contábil

  • Agromais Pecuária e Piscicultura Ltda

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Essas empresas teriam sido utilizadas como “laranjas” para desviar recursos dos cofres públicos, com repasses feitos a agentes políticos e familiares.

Principais alvos da investigação

Entre os principais investigados estão a ex-vice-prefeita Janaína Lima e o marido, Marlon Zerrão, proprietário do Posto Turi, empresa que, segundo o MP-MA, recebeu cerca de R$ 17,2 milhões do município.

As investigações indicam que o casal teria firmado um acordo para reter 10% dos contratos, valor que, conforme apurado, seria destinado ao pagamento da faculdade de medicina de Janaína Lima, enquanto os demais recursos retornavam ao prefeito ou a pessoas por ele indicadas.

Ainda segundo o MP, o posto teria sido utilizado para emissão de notas fiscais falsas, com o objetivo de justificar pagamentos irregulares.

A atual vice-prefeita Tânia Mendes e o marido, Ilan Alfredo Mendes, também são investigados por suposto recebimento de valores de empresas contratadas pela prefeitura, inclusive relacionados à venda de notas fiscais.

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