Política
Poluição no Rio Una leva Alerj a criar grupo para ampliar fiscalização ambiental

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) definiu a criação de um Grupo de Trabalho para ampliar o monitoramento ambiental e realizar vistorias técnicas no Rio Una, durante audiência pública promovida nesta sexta-feira (29). O encontro reuniu moradores, pescadores, representantes de entidades ambientais, pesquisadores e integrantes de comunidades tradicionais da Região dos Lagos.
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A iniciativa foi anunciada pelo presidente da Comissão de Legislação Participativa da Alerj, deputado estadual Yuri Moura, que destacou a necessidade de aprofundar as investigações sobre as causas da degradação ambiental registrada na bacia hidrográfica.
Segundo o parlamentar, o objetivo é ampliar a coleta de informações técnicas e identificar os principais fatores responsáveis pela contaminação do rio.
“Vamos criar um Grupo de Trabalho para ampliar o monitoramento técnico, realizar vistorias e compreender com mais precisão o que está causando essa situação”, afirmou.
Durante a audiência, participantes também cobraram maior participação dos órgãos ambientais estaduais. Yuri Moura criticou a ausência de representantes do Instituto Estadual do Ambiente e defendeu uma reunião específica para discutir o monitoramento e os processos de licenciamento na região.
Moradores relatam impactos ambientais
Representantes da sociedade civil relataram prejuízos causados pela poluição do Rio Una, especialmente para trabalhadores que dependem dos recursos naturais da região.
A integrante do coletivo Cidadania Buziana, Carolina Mazieira, afirmou que a presença constante de espuma e o forte odor têm afetado áreas próximas à Praia Rasa, em Armação dos Búzios.
Segundo ela, marisqueiras e pescadores enfrentam dificuldades para manter suas atividades devido às condições ambientais observadas nos últimos anos.
Especialistas defendem recuperação da bacia
O professor Luciano Fischer, do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro, alertou para os riscos ambientais e sociais associados à contaminação da água.
De acordo com o especialista, além da interrupção das fontes poluidoras, é necessário investir em ações de recuperação ambiental e ampliar o monitoramento da qualidade da água.
Ele destacou ainda que pescadores e moradores continuam expostos aos impactos da degradação sem informações claras sobre possíveis riscos ao consumo de pescado e ao contato com a água.
Comunidades tradicionais cobram medidas permanentes
A marisqueira Rosilene Pereira também participou da audiência e afirmou que comunidades quilombolas e tradicionais da Região dos Lagos vêm sofrendo diretamente os efeitos da degradação ambiental.
Ela defendeu a criação de instrumentos legais para garantir a preservação da área e impedir novas intervenções que possam agravar os danos já registrados.
Segundo Rosilene, milhares de famílias dependem dos recursos naturais da região para subsistência e cobram soluções definitivas para o problema.
Prolagos aponta necessidade de estudos mais amplos
Representando a concessionária Prolagos, Sinval Andrade afirmou que os problemas ambientais observados no Rio Una envolvem fatores complexos e não podem ser atribuídos a uma única causa.
Segundo ele, o monitoramento realizado ao longo dos últimos anos indica que episódios semelhantes ocorreram após períodos de chuvas intensas e que a bacia hidrográfica sofre influência de diferentes atividades econômicas e ocupações ao longo de sua extensão.
A concessionária defendeu a ampliação dos estudos técnicos para identificar as origens da carga poluidora e contribuir para a elaboração de soluções de longo prazo.
Próximos passos
Com a criação do Grupo de Trabalho, a expectativa é que novas vistorias de campo, análises ambientais e reuniões técnicas sejam realizadas nos próximos meses. O objetivo é reunir dados que permitam identificar as causas da poluição e propor medidas para a recuperação do Rio Una, considerado um dos principais corpos hídricos da Região dos Lagos.
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