Saúde

Quando a violência quer calar: por que os agressores desfiguram o rosto das mulheres do olhar da Psicologia

Por: Fábio Alves

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Nos últimos tempos, casos de violência contra a mulher têm chocado a sociedade, como o episódio dos 60 socos dentro de um elevador, que resultou em cirurgias no rosto da vítima, e também o caso recente da médica brutalmente agredida, que segue em processo de reconstrução facial após as agressões.
Essas violências não são apenas físicas. A escolha do rosto como alvo preferencial dos agressores carrega uma mensagem simbólica e psicológica muito profunda. O rosto é a parte mais exposta e identificável do ser humano: é nele que expressamos emoções, nossa identidade e também a forma como nos apresentamos ao mundo.
Quando um agressor tenta desfigurar o rosto da mulher, ele busca não apenas machucar, mas calar, apagar e destruir sua identidade. É um ato de poder e de controle que ultrapassa a dor física: é a tentativa de anular a existência daquela mulher como sujeito de direitos, desejos e voz.
Do ponto de vista psicológico, esses ataques revelam:
•O desejo de silenciamento: o rosto simboliza a fala, a expressão. Atacar essa região é uma forma inconsciente (ou consciente) de tentar calar a mulher.
•A tentativa de apagar a autoestima: ao desfigurar, o agressor quer atingir também a percepção que a vítima tem de si, abalando sua autoconfiança e dificultando sua reconstrução emocional.
•O controle pela humilhação: muitas vezes, o agressor quer que a marca da violência seja visível, como uma cicatriz da sua dominação.
É fundamental entendermos que o feminicídio e as violências de gênero não são casos isolados, mas sim reflexos de uma cultura machista que ainda vê a mulher como objeto de posse.
Por isso, além das cirurgias físicas, é urgente que essas vítimas recebam amparo psicológico especializado, pois a violência atinge corpo, mente e identidade. E mais do que isso: é preciso discutir e agir coletivamente, para que a sociedade não normalize nem minimize esses ataques.
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