Política
Justiça da Itália adia novamente decisão sobre extradição de Carla Zambelli
Defesa pede troca de magistrados e alega perseguição política no processo contra a ex-deputada

A Justiça da Itália adiou pela quarta vez, nesta terça-feira (20), a decisão sobre o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. A informação foi confirmada pela defesa da brasileira, que está presa em Roma desde julho de 2025.
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Segundo os advogados, o adiamento ocorreu após a Corte abrir prazo para a apresentação de uma arguição de suspeição contra os magistrados responsáveis pelo caso, o que pode levar à análise do processo por outro tribunal.
De acordo com o advogado Fabio Pagnozzi, a estratégia da defesa é pedir formalmente a substituição dos juízes, sob a alegação de parcialidade. Segundo ele, a Corte recuou de decisões anteriores e concedeu um prazo de três dias para o protocolo do pedido.
Até agora, pedidos semelhantes já haviam sido negados em três ocasiões, mas desta vez houve a abertura formal do prazo para análise da suspeição e eventual troca da turma julgadora.
A defesa de Zambelli também solicita a inclusão do chamado relatório 38 da Polícia Federal, utilizado no processo que resultou na cassação do mandato da ex-deputada na Câmara dos Deputados. O documento, no entanto, segue sob sigilo, o que dificulta sua incorporação aos autos.
Outro pedido é a oitiva de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, apontado pelos advogados como testemunha relevante para o caso.
Carla Zambelli foi condenada em dois processos no Brasil. O primeiro refere-se ao episódio em que perseguiu um homem armada, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. O segundo envolve a acusação de que ela teria sido mandante da invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrida em 2023, com participação de um hacker.
A defesa nega todas as acusações e sustenta que as condenações são resultado de perseguição política.
Em declaração divulgada à imprensa, o advogado Pieremilio Sammarco afirmou que tratados internacionais impedem a extradição de pessoas perseguidas politicamente.
“Pelos tratados internacionais, não se pode extraditar pessoas que estão sendo perseguidas politicamente. Não tivemos medo dos magistrados hoje e vamos conseguir, dentro de três dias, a troca dessa turma”, afirmou.
O caso segue em análise pela Justiça italiana e ainda não há nova data definida para a decisão final sobre a extradição.
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