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Alta do Diesel: FUP denuncia lucros abusivos e distorções após privatizações

Federação Única dos Petroleiros aponta que a falta de controle sobre a cadeia de distribuição e a dependência externa potencializam o impacto da crise internacional no bolso do brasileiro.

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Preço médio do diesel S10 saltou para R$ 6,89 em março, refletindo a volatilidade do mercado global e gargalos internos. Foto: José Cruz/Agência Brasil

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) subiu o tom nesta quarta-feira (18) contra o que classifica como “distorções estruturais” no mercado de combustíveis brasileiro. Segundo a entidade, a recente disparada nos preços do óleo diesel nos postos não é apenas reflexo do cenário externo, mas resultado direto de margens de lucro abusivas e da perda de soberania sobre a distribuição. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) corroboram a preocupação: o preço médio do diesel S10 sofreu um reajuste de 12% em apenas uma semana, saltando de R$ 6,15 para R$ 6,89.

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O cenário internacional é o principal motor da pressão sobre as commodities. Com o acirramento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o barril do petróleo tipo Brent atingiu a marca de US$ 108, acumulando uma alta de 55% em apenas um mês.

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A maior ameaça reside no Estreito de Ormuz, por onde escoa 20% da produção mundial de óleo e gás. O possível bloqueio da região pelo Irã gerou alertas globais para um barril que pode chegar a US$ 200. Como o Brasil ainda importa cerca de 30% do diesel consumido internamente, a exposição a esses choques é imediata.

Para a diretora da FUP, Cibele Vieira, a privatização da antiga BR Distribuidora (atual Vibra Energia) retirou do Estado uma ferramenta fundamental de controle. “A Petrobras pode equilibrar preços na refinaria, mas não controla o que acontece depois”, afirma.

A entidade destaca o esforço do governo federal, que zerou as alíquotas de PIS/Cofins e anunciou subvenções de R$ 0,32 por litro. Entretanto, o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, alerta que empresas privadas repassam a alta internacional instantaneamente, enquanto a Petrobras tenta amortecer os impactos.

“Quando o diesel sobe, não é só o combustível que encarece, mas também o transporte, os alimentos e a inflação. O aumento se espalha por toda a economia”, pontua Bacelar.

Atualmente, o diesel nas refinarias da Petrobras opera cerca de 59% abaixo da paridade internacional, segundo a Abicom. Essa defasagem é fruto de uma política iniciada em 2023 para proteger o consumidor interno. Contudo, o setor de importação privada pressiona por reajustes, criando um dilema entre a estabilidade econômica interna e a viabilidade dos importadores.

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A proposta atual do governo aos estados para zerar o ICMS sobre o diesel importado é mais uma tentativa de conter o efeito dominó que ameaça os índices inflacionários do país.

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