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Operação Contenção: PF diz ao STF que não conseguiu periciar 945 vídeos e cobra envio em mídia física

Ofício enviado ao Supremo aponta que arquivos da operação policial no Complexo da Penha e do Alemão foram liberados apenas para visualização em nuvem, sem possibilidade de download para análise técnica.

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A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não conseguiu realizar a perícia dos 945 vídeos da chamada Operação Contenção, deflagrada em outubro de 2025 no Rio de Janeiro. Segundo ofício encaminhado à Corte na segunda-feira (24), o material foi disponibilizado apenas para reprodução em nuvem, sem opção de download, o que inviabilizou a preservação e análise técnica dos arquivos.

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A operação, realizada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro contra a facção Comando Vermelho, resultou em 122 mortos nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da capital fluminense. Parte dos corpos foi localizada em área de mata e, posteriormente, enfileirada em uma das principais vias da Vila Cruzeiro, cena que gerou forte repercussão nacional e internacional.

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No documento enviado ao STF, o diretor-geral substituto da PF, William Marcel Murad, afirmou que a ausência de download impossibilitou a extração dos arquivos para fins de preservação e eventual realização de perícia.

“Como o download não se encontrava ativo, restou inviabilizada a extração dos arquivos para fins de preservação, análise de viabilidade técnica e eventual realização de perícia”, destacou no ofício.

A PF solicitou que o material seja disponibilizado em mídia física, permitindo a cadeia de custódia adequada e a análise pericial conforme protocolos técnicos.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que menos da metade dos agentes utilizou câmeras corporais durante a operação, alegando falhas técnicas nos equipamentos. Entre os vídeos solicitados estariam registros audiovisuais de necropsias, a pedido da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.

Procurada, a corporação não comentou o ofício da PF nem informou quando o material será disponibilizado de forma integral.

Os vídeos foram requisitados pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, conhecida como ADPF 635.
A ação, em vigor desde 2020, estabelece limites para operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro, diante da alta letalidade. Entre as determinações do STF estão:

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Preservação das cenas de crime em casos de morte;
Uso obrigatório de câmeras corporais;
Instalação de câmeras em viaturas;

Após a Operação Contenção, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União questionaram o cumprimento dessas regras.

As investigações avançaram após seis policiais serem denunciados à Auditoria da Justiça Militar por crimes como peculato, violação de domicílio, constrangimento ilegal, roubo e recusa de obediência.

Segundo o Ministério Público Estadual, a análise de imagens corporais indicou:

Arrombamentos de residências sem autorização;
Ingresso em imóveis sem necessidade operacional;
Constrangimento de moradores sob ameaça;
Roubo de um aparelho celular e de um fuzil abandonado;

As denúncias de possíveis execuções e torturas também foram relatadas por familiares das vítimas e agentes comunitários, intensificando o debate sobre a legalidade da operação.

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