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STF começa a julgar acusados pelo assassinato de Marielle Franco

Primeira Turma analisa ação penal contra conselheiro do TCE-RJ, ex-deputado e delegado por duplo homicídio qualificado

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Marielle Franco. Foto: Reprodução

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia, na próxima terça-feira (24), o julgamento da Ação Penal (AP) 2434, que apura a responsabilidade de acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, mortos a tiros em março de 2018, no Rio de Janeiro.

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Tornaram-se réus na ação Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ); João Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio; e Ronald Paulo de Alves, ex-policial militar. Eles respondem por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu ao atentado.

O ex-assessor do TCE Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, responde, ao lado dos irmãos Brazão, pelo crime de organização criminosa.

A Constituição prevê que crimes dolosos contra a vida sejam julgados pelo Tribunal do Júri. No entanto, quando envolvem autoridades com prerrogativa de foro, o julgamento cabe ao tribunal competente.

O processo chegou ao Supremo em razão do suposto envolvimento de Chiquinho Brazão, que exercia mandato de deputado federal à época da investigação.

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Desde 2023, o STF restabeleceu a competência das Turmas para julgar ações penais envolvendo autoridades com foro na Corte, com exceção de cargos específicos — como presidente e vice-presidente da República, presidentes da Câmara e do Senado, ministros do próprio Supremo e o procurador-geral da República — cujos processos permanecem no Plenário.

Como o relator é o ministro Alexandre de Moraes, integrante da Primeira Turma, o julgamento será conduzido por esse colegiado, atualmente presidido pelo ministro Flávio Dino.

Estão previstas duas sessões na terça-feira (24), às 9h e às 14h, além de sessão na manhã de quarta-feira (25), a partir das 9h. O julgamento será transmitido ao vivo pela Rádio e TV Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube.

O rito segue a Lei 8.038/1990 e o Regimento Interno do STF. Após a abertura da sessão pelo presidente da Turma, o relator fará a leitura do relatório, com resumo dos fatos, histórico processual e argumentos da acusação e das defesas.

Em seguida, ocorre a fase de sustentações orais. O vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, representará a Procuradoria-Geral da República (PGR) na acusação, com prazo inicial de uma hora, prorrogável. O advogado assistente de acusação, indicado por Fernanda Chaves, poderá se manifestar por até uma hora.

Na sequência, os advogados de defesa terão, individualmente, uma hora para apresentação de seus argumentos.

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Encerradas as sustentações, o relator será o primeiro a votar, seguido pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e, por fim, o presidente da Turma, Flávio Dino. A decisão será tomada por maioria. Em caso de condenação, o colegiado definirá as penas.

O assassinato ocorreu em 14 de março de 2018, quando Marielle Franco e Anderson Gomes foram baleados dentro do carro em que trafegavam na região central do Rio.

Inicialmente conduzidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, as investigações passaram a contar com a atuação da Polícia Federal em 2023, por determinação do Ministério da Justiça.

Em junho de 2024, a Primeira Turma recebeu, por unanimidade, a denúncia apresentada pela PGR. Segundo a acusação, os irmãos Brazão teriam planejado o crime em razão da atuação política de Marielle, que, de acordo com a denúncia, contrariava interesses ligados à regularização fundiária em áreas sob influência de milícias.

A PGR sustenta ainda que Rivaldo Barbosa teria atuado para dificultar as investigações, utilizando sua posição na Polícia Civil. Já Ronald Paulo de Alves, conhecido como Major Ronald, teria monitorado a rotina da vereadora e repassado informações aos executores.

A denúncia foi fundamentada, entre outros elementos, na colaboração premiada do ex-policial militar Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos, além de depoimentos e documentos reunidos ao longo da investigação.

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